ARTIGOS RESGATE SANFELIZ

ALEXANDRE CARNEIRO DA FONTOURA

RESGATE

É notória a importância do estudo de João Pinto da Fonseca Guimarães e Jorge Godofredo Felizardo, sob o título “Carneiro da Fontoura”, obra da “Genealogia Rio-Grandense”, em sua edição comemorativa à passagem do segundo centenário da Fundação do Presídio do Rio Grande de São Pedro. Como todo o estudo, a medida que as investigações avançam, que novos dados são acrescentados, sucessivas iterações vão complementando as informações. É sobre uma dessas questões que importa seja esclarecida: a descendência de Pedro José Carneiro da Fontoura, § 3º, Capítulo II, combinado com a ascendência citada para Alexandre Carneiro da Fontoura da Fontoura, item 2-7, do § 11, Capítulo X (pg 219).

A dúvida decorria, já em 1988, a medida que novas de pesquisas foram encetadas por Nelson Freitas da Fontoura, coordenador dos estudos agora divulgados pelo site “Carneiro da Fontoura”. Partindo-se do testemunho de parentes próximos a Alexandre, que residiu em Dom Pedrito, algo sugeria um equívoco na obra de Guimarães e Felizardo. Além da convicção transmitida pelos testemunhos de seus familiares, uma prova mais cabal se fazia necessário para dar confiabilidade ao público. Isso veio após uma pesquisa junto ao Bispado de Bagé. A falta de acesso a esses dados, certamente, induziu ao equívoco, o que em genealogia é possível ocorrer mesmo quando embasado em fontes primárias.

 

 

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

Ocorre que Alexandre de Souza Pereira da Fontoura (10), décimo filho de João Carneiro da Fontoura, também se assentou em terras de Bagé, como Pedro José Carneiro da Fontoura (2.3), este neto do genearca dos Fontoura no Rio Grande do Sul. Talvez disto decorra o aduzido engano na descrição genealógica da obra citada.

Por outra vertente, sabia-se que Alexandre Carneiro da Fontoura (2.3.2.1), teve como irmão João Antônio Carneiro da Fontoura (2.3.2.7) e Pedro Carneiro da Fontoura, entre outros, sem que se pudesse precisar o vínculo com um dos grupos da genealogia Carneiro da Fontoura. Ao certo, por informações de memorialistas, descendentes de João Antônio e Pedro, seus pais eram Militão Carneiro da Fontoura e Silvana Montagna e não Francisco Antônio Carneiro da Fontoura (1-11, §11, Capítulo X) como descreve Guimarães e Felizardo.

Pedro José Carneiro da Fontoura (PJCF), pai de Militão, avô de João Antônio Carneiro da Fontoura (JACF), visando ao assentamento da colonização lusa deslocou-se para os campos de Bagé (rio Santa Maria). Era início do século XIX. Militão nasceu em 1798. Estas coincidências: nome, local, época, levaram fazer-se outra correlação, requerendo comprovação, qual seja: Militão pai de JACF com Militão filho de PJCF. A pesquisa começou pelos registros de Caçapava do Sul (onde Pedro José teria nascido em 1800, segundo Guimarães e Felizardo) e Bagé (onde falecera em 1810, segundo Dante Laytano, mencionando a Guarda Velha de São Sebastião).

Tomando por fontes, além dos assentamentos de batismo do Bispado de Bagé, os inventários do Arquivo Púbico do Rio Grande do Sul, obteve-se a confirmação dos eventos que elucidaram a questão.

 

PESQUISA EM 1994 – Bispado de Bagé.

1)       Assentamento de casamento “em 28-10-1878, vila de Dom Pedrito, de Alexandre Carneiro da Fontoura, filho legítimo de Militão Carneiro da Fontoura, já falecido, e de sua mulher Silvana Montanha, naturais desta paróquia, com Izidra Carolina de Barrios, viúva por falecimento de Manoel Machado da Silveira, filha legítima de Francisco de Paula Barrios, já falecido, natural de S. Paulo, e de sua mulher Francisca Vieira de Barrios, natural desta Província. Vigário José Tavares Bastos”. [Cópia do assentamento Lv 01-Fl 142. Nota do pesquisador: pela citação dos pais de Alexandre, confirma-se o vínculo com a progênie].

2)       Assentamento de casamento, “em 15-01-1874, Matriz de Dom Pedrito, de João Antônio Carneiro da Fontoura, filho legítimo de Militão Carneiro da Fontoura, já falecido, e de sua mulher Silvana de Vargas Fontoura, naturais desta paróquia, com Maria Antônia de Ávilla, filha legítima de José de Ávilla Correia, e de sua mulher Imiliana Maria Correia, naturais de Pelotas. Vigário José Tavares Bastos”. [Cópia do assentamento Lv 01-Fl 117].

 

PESQUISA EM 1998 – Arquivo Público do RGSul

1)       Inventário de Alexandre de Souza Carneiro da Fontoura [10], 1º Cartório O&A, Porto Alegre, codificação arquivo: 1815-510-23-2, inventariante: Theodora Clara de Oliveira e Fontoura. Falecimento: 22-04-1815 – Rio Pardo.

2)       Inventário de Theodora Clara de Oliveira [10], 1º Cartório de O&A, Porto Alegre, codificação arquivo: 1818-631-26-2; inventariante: José Francisco do Santos Sampaio. Data falecimento: não consta. Descendência extraída, combinando ambos os eventos acima:

– Constância Alexandrina Carneiro da Fontoura (casada); – José Alexandre Carneiro da Fontoura (reverendo); – Maria Leocádia Carneiro da Fontoura (falecida); – Thereza Clementina Carneiro da Fontoura (casada, falecida antes de Theodora Clara e depois de Alexandre); – Izabel Josefina Carneiro da Fontoura (emancipada pelo casamento); – Ana Theodora Carneiro da Fontoura; – Francisca Carlota Carneiro da Fontoura; – Joaquina Carolina Carneiro da Fontoura (emancipada pelo casamento); – Antônio Viriato Carneiro da Fontoura; e –Francisco Antônio Carneiro da Fontoura.

3) Inventário de Pedro José Carneiro da Fontoura – Ten.-Dragões [02.03], Cartório O&A, Bagé, codificação arquivo: 12-1-38-1812; inventariante: Brizida Oliveira. Data falecimento: 15-10-1810. Residentes: Distrito de Caçapava do Sul. Herdeiros: Pedro (12 anos); Militão (11 anos); Cândida (10 anos); José (5 anos); Clara (4 anos); e Thomaz (2 anos). Notas do pesquisador: 1) Bernardo José Carneiro da Fontoura na qualidade de tutor dos sobrinhos e esposo de Brízida; e 2) este inventário foi aberto em Rio Pardo (Cartório de O&A, Rio Pardo 12-1-38-1812, porém transferido para Bagé).

4)       Inventário de Militão Carneiro da Fontoura [02.03.02]; Cartório O&A, Bagé, 74-3-38-1851. Inventariante: Silvana Antônia de Vargas. Residentes em [rio] Santa Maria, campos lindeiros à vila de São Sebastião de Bagé, distrito de São Sebastião de Bagé [Nota do pesquisador: campos do futuro município de D Pedrito]. Data Falecimento: 05-12-1844. Descendência: – Alexandre da Fontoura (23 anos); – Pedro da Fontoura (22 anos); – Emília da Fontoura (17 anos); – José da Fontoura (15 anos); – Sebastião da Fontoura (13 anos); – Adelaide da Fontoura (12 anos); – João Antônio da Fontoura (9 anos); – Ana Maria da Fontoura (8 anos); e – Flora da Fontoura (6 anos).

Nota do pesquisador: Confirmam-se as informações colhidas junto aos familiares quanto a ascendência de Alexandre, João Antônio e Pedro. O primeiro e o terceiro, residentes no Ponche Verde, Dom Pedrito, enquanto o segundo residiu na margem oriental do rio Santa Maria.

 

CONFORME FAMILY SEARCH – COLETA DADOS SETEMBRO 2016

O casamento de Francisco Antônio Carneiro da Fontoura com Fausta Velloza da Fontoura ocorreu em 26-05-1818, Porto Alegre, igreja N S Madre de Deus, filme 1390976 do Sistema Family Search. Nota do pesquisador: Entre os dez filhos encontrados para esse casal, nenhum corresponde a Alexandre Carneiro da Fontoura, como mencionam Furtado e Felizardo. José Alexandre Carneiro da Fontoura (*1834), o nono, codificado como 10.12.9, não pode ser confundido com Alexandre Carneiro da Fontoura (2.3.2.1), tanto pelos dados do casamento, como pela data de nascimento e o local onde viveram as famílias de Francisco Antônio e Militão.

 

CONCLUSÃO

Ante esses dados, parece ser irrefutável considerar a ascendência de Alexandre, Pedro; Emília, José, Sebastião, Adelaide, João Antônio, Ana Maria e Flora Carneiro da Fontoura como Militão Carneiro da Fontoura (pai), Pedro José Carneiro da Fontoura (avô), José Carneiro da Fontoura (bisavô) e João Carneiro da Fontoura (trisavô). Todas as famílias, a partir de Pedro José e seus descendentes, residiram em Dom Pedrito, formando um dos núcleos mais numerosos de Fontouras do Rio Grande do Sul nesse município, que se desmembrou de Bagé, seguindo à política de ocupação territorial encetada por Dom Diogo de Sousa, após 1811.

 

  Nestes termos, os dados já integrados à descrição genealógica desde 1999 (caráter probatório), obteve o carimbo “ne varietur” pelo Grupo de Trabalho que ratificou a exposição de motivos apresentada pelo pesquisador, documentada por cópias fotostáticas dos assentamentos de casamento, passando a fazer parte da Edição de 2017.

♦ 2017-05-30, 7:48:15 AM

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