CONTEXTO HISTOGRAFIA SANFELIZ

REPÚBLICA NOVA

 

Este é o quinto histograma da série que retrata os acontecimentos que marcam a História do Brasil e do Rio Grande do Sul contextualizados com a História das Sociedades. Enfocar-se-á o período que nasce no chamado Estado Novo e chega ao fim do século. Mudam os eventos, que se sucedem empunhando eterna bandeira da esperança. Se houver melhoras a anotar, decorrem de tecnologias desenvolvidas por terceiros, segundo desígnios econômicos estranhos.

 

BRASIL REPÚBLICA (NOVA) ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL CONTEXTO MUNDIAL

1931 – Legislativo fechado. Interventores estaduais substituem os presidentes das províncias.

1931 – RS e Minas geram movimentos reconstitucionalista, visam às eleições imediatas e se opõem ao tenentismo, que apoia Vargas.

1931 – Japão invade a Manchúria.

1932 – Irrompe, em São Paulo, movimento reconstitucionalista, a Frente Única, mas se rende. Em Minas, Arthur Bernardes não consegue levar apoio aos paulistas, é preso e exilado.

1932 – O Interventor Flores da Cunha sufoca movimento liderado por Borges de Medeiros, que apoia o constitucionalismo de São Paulo.

1932 – Conferência de Genebra: fracasso do desarmamento.
        – EUA: Franklin Roosevelt, Presidente: New Deal, política de Boa Vizinhança.

1933 – Eleições à Assembleia Constituinte.

1933 – Nazismo no Poder alemão.

1934 – Promulgada a 3ª Constituição.

1934 – A Federação Operária do RS faz campanha de conscientização do trabalhador, repudiando legislação vigente.
– Flores da Cunha com domínio o do Legislativo.

1934 – Fortalecimento de Hitler no IIIº Reich.

1935 – A Aliança Nacional Libertadora, liderada por Luís Carlos Prestes, combate o fascismo, mas é extinta por decreto presidencial.

1935 – Surto cooperativista na região colonial. Greves. Dificuldade políticas para Flores da Cunha.

1936 – Guerra Civil na Espanha: 750.000 mortos até 1939. Itália na Etiópia.

1937 – Movimento integralista de Plínio Salgado: Deus, Pátria e Família. Estado de Guerra. Nos estados, a comissão executora fica a cargo dos interventores. Fecham-se todas as instituições suspeitas, inclusive a Maçonaria. Censura à imprensa. Estado Novo implantado. Fim partidos políticos.

1937 – Flores da Cunha renuncia, após perder o apoio do Legislativo e exila-se no Uruguai. Daltro Filho, Interventor.

1937 – Inquietação na política mundial.
        – O Japão invade a China.

1938 – Integralistas rompem com Vargas e é preso Plínio Salgado.

1938 – Morre Daltro Filho. Cordeiro de Farias, Interventor.
– Crise na pecuária e lavoura colonial.

1938 – Em Lima ocorre a IIIª Conferência Interamericana.
– O Brasil mostra-se neutro em relação ao Eixo Berlim-Roma.
– Alemanha ocupa a Áustria e a Polônia no ano seguinte.
– Início da IIª Guerra Mundial.

1939 – Petróleo na Bahia, em Lobato.
        – Tratados comerciais e refinanciamento da dívida com os EUA.

1940 – Plano Siderúrgico Nacional.

1940 – Indústria metalúrgica. E campanha antialemã na zona colonial.

1940 – Japão ocupa a Indochina.

1941 – Acordo Militar com os EUA, que implantam as bases militares em Recife, Natal e Belém, concedendo financiamento para a Cia. Siderúrgica Nacional (CSN).

1941 – Do Uruguai, Flores da Cunha lidera oposição a Vargas.

1941 – Alemanha invade a Rússia.
– Ataque japonês a Pearl Harbour: EUA entra na Guerra.

1942 – Navios nacionais afundados: Brasil entra na Grande Guerra.

1942 – Ernesto Dorneles, Interventor. Flores da Cunha retorna do exílio e é preso.

1942 – Desembarque dos Aliados no Marrocos.

1944 – Segue para a Itália a FEB com 25.000 homens sob o comando de Mascarenhas de Morais.

1945 – CSN inaugurada. Volta da FEB. E a reconstitucionalização é exigida.
        – Fim do Estado Novo.
– Gen. Eurico Gaspar Dutra eleito Presidente.
1945 – Reorganização dos partidos políticos: PL, PSD, UDN, PTB, como em todo o Brasil.

1945 – Rendição Alemã, 8 de Maio, Dia da Vitória.
        – Truman anuncia a bomba A.
– Hiroshima e Nagasaki bombardeadas com a bomba atômica.
– Criação da ONU.
– Repúblicas populares se implantam na Europa (até 1948).

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FIM DA IIª GRANDE GUERRA

1946 – Implanta-se a 5ª Assembleia Nacional Constituinte. Nova Constituição.

1946 – Walter Jobim (PDS) derrota Alberto Pasqualini (PTB), implantará uma política de industrialização e contenção de despesas; êxodo rural; cria a CEEE e a mineração.

1946 – Argentina: Perón inicia o justicialismo. Nos EUA, os computadores são chamados de cérebros eletrônicos.

1947 – Interrupção de relações com a URSS e o Partido Comunista Brasileiro (PCB) é posto na ilegalidade.

1947 – Plano Marshall, a Doutrina de Truman e início da Guerra Fria.

1948 – Criação da OEA. ONU aprova partilha da Palestina entre árabes e judeus.
– Gandhi assassinado na Índia.

1950 – Vargas: Presidente constitucional. A Balança Comercial tem um excedente de US$ 425 milhões.

1950 – Guerra da Coréia, que perdura por 3 anos.

1951 – Ernesto Dorneles (PTB) reafirma a industrialização.

1952 – Déficit da Balança Comercial atinge US$ 286 milhões. Lei da Remessa de Lucros.

1952 – EUA anuncia a Bomba H.

1954 – Inquietação política. Getúlio Vargas se suicida. Café Filho assume.

1953 – Morre Stálin.

1954 – Nasser, Presidente do Egito.

··· Fim da ERA VARGAS ························································

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1955 – Instabilidade política; cai Café Filho, efêmeros governos se sucedem até assumir Nereu Ramos. Eleito Juscelino Kubitschek de Oliveira Presidente constitucional.

1955 – Ildo Meneghetti (PDS-UDN-PL) ao derrotar Alberto Pasqualini (PTB) implanta uma política que envolve energia e transportes.

1955 – Argentina: Perón deposto.

1956 – O País vive uma normalidade democrática no Governo Juscelino que experimenta um crescimento industrial, incremento de modernas rodovias, construção de Brasília e agravamento do processo inflacionário até o final do mandato em 1961.

1957 – Criação do Mercado Comum Europeu.
        – Lançado o 1º satélite artificial pela URSS: Sputnik. EUA, ainda consternado, assiste ao lançamento do satélite tripulado por uma cadela: Laika.

1959 – Leonel Brizolla (PTB) no governo: populismo, redistribuição de rendas e terras. Encampação da Telefônica.

1959 – Revolução Cubana, de Fidel Castro, assume cunho socialista com profundas consequências no Continente Americano.

1961 – Jânio Quadros toma posse depois de retumbante consagração eleitoral e renuncia no mesmo ano. O vice João Goulart assume depois de conturbada questão política já com um sistema parlamentar, que duraria até 1963, quando seria restabelecido o presidencialismo. Agitação social (trabalhista) redunda em novo golpe de Estado de signo militar.

 – De 1964 a 1986, o País comandado por militares, em quase todas as esferas, tem como presidentes o Mar. Castelo Branco, o Mar. Costa e Silva, o Mar. Garrastazu Médici, o Gen. Ernesto Geisel e o Gen. João Figueiredo. O combate à corrupção e o almejado desenvolvimento, mal enfocado, malconduzido ou mesmo sufocado pela cessação das prerrogativas constitucionais propiciará profunda crise socioeconômica. Mégalos projetos determinam investimentos sem retorno; população urbana crescendo mais que a rural; dívida externa em torno de 100 bilhões de dólares (30 mil vezes a da época da Independência). Mesmo assim um País de enorme potencial econômico, mas que terá de engatinhar na sua consciência política, periodicamente arranhada por falsos idealismos engendrados de outras culturas e não adaptados a nossa realidade, por falta de objetivos lhanamente definidos e, por vezes, escusos.

1961 -Brizolla comanda a Legalidade em defesa da posse a João Goulart, com o apoio do IIIº Exército do Gen. Machado Lopes.

1963 – Meneghetti, Governador.

1967 – Em regime de exceção governam o Rio Grande, Perachi de Barcelos, Euclides Triches, Sinval Guazelli e Amaral de Souza que, com o respaldo dos governos militares, mantêm um continuísmo político, como de resto em todo o País.

1961 – Início da redemocratização vietnamita. João Kennedy, Presidente dos EEUU. Muro de Berlim. Yuri Gagarim o 1º voo cósmico tripulado por humano.

1963 – Assassinato de Kennedy consterna o mundo. 

1967 – Guerra dos 6 Dias no Oriente Médio. Bolívia: Che-Guevara assassinado.

1971 – China Socialista admitida na ONU.

1973 – Início da retirada dos EEUU do Vietnã. Guerra do Yon Kippur.

1974 – Caso Watergate: Nixon renuncia.

1975 – Independência do Suriname. EEUU se retira do Vietnã.

1982 – Eleições para Governador, Jair Soares (PDS) vence a Pedro Simon (PMDB). 1982 – Guerra das Malvinas.

1984 – Inicia um período de transição democrática. Eleito Tancredo Neves, ainda pelo Congresso Nacional. Não assume o Governo em face de grave enfermidade que foi acometido na véspera de sua posse. Tal o peso de consciência a Nação carrega em tantos anos de anormalidade democrática, que é empossado o Vice eleito, mas que, por ainda não ter assumido de fato, não lhe era devido o cargo. Governa, até 1990, José Sarney (de formação política oriunda na facção que deu sustentação aos Governos militares, a ARENA). Sarney em clara manobra atendendo seu projeto político pessoal, integra-se PMDB, partido que fraqueja ao se colocar na situação. Os problemas nacionais são os mesmos das últimas décadas, as instituições são tênues.

A dívida externa já de 130 bilhões de dólares, a carga tributária é excessiva, a ingerência do Poder Público na economia privada é insustentável quando, em 1991, assume o Governo Fernando Color de Mello, Presidente constitucional consagrado pelo sufrágio direto e pela vontade soberana do povo. A corrupção aflora, a consciência nacional resulta estarrecida.

1986 – Pedro Simon vencendo a Alceu Collares enfrenta uma crise financeira.

1990 – Alceu Collares (PDT) eleito Governador; dívida de US$ 5,4 bilhões e Receita Líquida inferior aos juros da dívida mobiliária. Busca de projetos de desenvolvimento industrial e educação. Prevê a Reforma Administrativa.

1984 – Conferência dos 7 Grandes rejeita mudanças no sistema de negociação da dívida externa do 3º Mundo.

1986 – Espanha e Portugal no CEE.
         – Gorbachev, durante o IIº Congresso do PCUS anuncia as reformas que inauguram a Perestróica (Reconstrução) e a Glasnost (Transparência) na condução da política interna da URSS.
        – Carta de Paris: 34 nações (Europa, EEUU e Canadá) ratificam ideais democráticos; fim Guerra Fria.

   

Alemanha reunificada. Acordos de desarmamento entre EEUU e URSS. Caem os regimes totalitários no Leste Europeu.

 Iraque invade o Kuwait e se retira após fulminante intervenção americana e aliados.

1991 – Desagregação da URSS e surge a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), além de outros Estados que se fizeram soberanos.

 

Os fatos se sucedem segundo leis veladas pela Sociologia ante o ocompetente registro pela História. É bem verdade, são mais fáceis de serem explicados do que prevê-los acontecer: são fatos sociais. A Sociologia, longe de equacionar soluções exatas, cartesianas, esboça as razões do que é possível suceder. E é gratificante saber que a História das Sociedades, mesmo quando registra reveses, logo lhe sucede o progresso: é da inteligência humana. Abdicar dessa ordem natural não faz sentido aos povos que cultivam “seus vetores de tradição e cultura”.

E como para tudo tem uma solução, mesmo na mais crítica das situações, é bom que, no caso brasileiro, substitua-se as rompância dos impostores, as lamúrias dos apocalípticos e dos desesperançados, o discurso fácil aos oprimidos por uma ação insubmissa e fundada em objetivos emergentes da consciência nacional. Esta, no entanto, requer uma prévia discussão em todos os segmentos da sociedade. Tarefa de doutrinação, suprapartidária. Uma reavaliação das forças produtivas, tal que se transforme a maioria dos brasileiros em produtores desapegados do auxílio de governos paternalistas, assim substituindo-se a expectativa do direito adquirido pela ideia de realização. Uma mobilização nacional que certamente envolverá pelo menos uma geração inteira.

Movimentos cívico-culturais, enfocando as realidades regionais, serviriam de lastro para essa grande discussão Nacional. Responsabilidade que as universidades, entidades de classe, clubes sociais e filantrópicos, equidistantes dos poderes constituído e econômico, precisam assumir e incentivar. A causa justa enseja plenitude de ação sem apregoação. Pesa, no entanto, constatar essa tendência de se querer acomodar no guarda-chuva da pátria amada – tendência tavez potencialisada desde os tempos da vinda da Família Real para o Brasil – pesa também, esse proselitismo de se “passar tudo a limpo” a cada crise institucional – pesa mais, a detrioração dos valores morais e culparem-se as leis, os costumes “tupiniquins”, os elitismos de classes, políticas em especial, que tornam mais desiguais aqueles que, governados resultam inocentemente aviltados em seus anseios, em suas prerrogativas constitucionais.

Afinal, arriaram o estandarte que em fulminante ação, através de seu tremular uniu os infatigáveis defensores da liberdade? É tempo de reflexão sobre a intransferível e permanente responsabilidade de, como pessoas atuantes nos destinos da nacionalidade, forjar as gerações futuras? Os filhos, desta amada terra do Brasil, precisam reaprender que: povo que não tem virtude acaba por ser escravo. O tempo é propício, é tempo de “Terceira Onda”, de nova ordem social. Definir nossos objetivos – enquanto cidadão, enquanto seres sociais, enquanto seres políticos – e não permitir que a nação vagueie a mercê de outras culturas. Isto já apreendemos quando da emersão do imperialismo.

Que sejam, os brasileiros, por fim, independentes: o brado retumbante dessa brava gente é tão somente caracterizar o ideal imanifesto a partir de suas próprias raízes. Jamais pontuar seus objetivos, como nação, em outras culturas. Estas, se válidas, se supostamente mais avançadas, muito pouco servem, se negligenciada ou até negada a história feita de sangue e glória de seus antepassados.

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